Trem de Horrores

 

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A visão do inferno tem nome e endereço: Estações de trem de São Paulo.

Sim, aquele amontoado de gente desesperada por conseguir um lugar no vagão do trem é tremendamente assustador.

É um empurra-empurra, uma má educação, ou melhor , ZERO educação.  Fila que é bom nem existe no vocabulário deste povo. 

Imagina aqui comigo… Você entra na estação, já tem um mooooonte de gente esperando (não sei de onde sai tanta gente, porque tem vários vagões e todos estão sempre lotados). Mas não apenas “lotados”, super-hiper-mega-lotados. Gente saindo pelas janelas, deixando a sola de sapato fora do trem, gente se encaixando uma nas outras como se fossem quebra-cabeças…

Quando as estações estão muito cheias e as pessoas esquecem a teoria de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço, vem os seguranças (que sempre estão desfilando nas plataformas com direito a armas de fogo)  para dar um empurrãozinho no pessoal. Eles empurram com vontade, como se estivessem empurrando animais para o abate. Quando eu vejo esta cena, me dá um aperto no coração, um nó na garganta e  me pergunto: Onde é que eu vim parar?! O jeito é esperar o próximo trem para não ter que viver na minha própria pele este ato desumano.

Dentro do trem sofre mais quem é baixinho, pois os “canos” para segurar são altos… mas quem precisa segurar não e mesmo? Estes dias fiquei com muita dó de uma menina. Tinha um velhote de camiseta regata, uma selva amazônica branca  à mostra  esfregando na face da coitada. Ela fazia uma cara de nojo, raiva e indignação ao mesmo tempo, mas não tinha solução e teve que ficar embaixo da cabeleira do tiozão até a próxima parada. Tenho certeza de que ela desceu antes só para se livrar do matagal.

Se não bastasse a super lotação, é muita gente sem noção reunida num só vagão. Tem aqueles que insistem em tocar o funk mesmo com os avisos proibindo aparelhos sonoros que perturbem os demais usuários. Tem também as piriguetes que ficam falando alto no telefone e contando o que fizeram ou deixaram de fazer. Sem falar das barraqueiras… Dia desses  duas mulheres começaram a bater boca porque uma pisou no pé da outra e não pediu desculpas.   A  baixaria foi tanta que pensei que tamancos rolariam.  Virou a maior bagunça dentro do trem. Alguns caras começaram a latir e provocar ainda mais as duas. O bate boca só terminou quando uma das madames desceu.

Já está com urticárias por todo o corpo só em imaginar tanta desgraça a caminho do trabalho? Mas a saga não acaba por aqui, o horror continua na hora de descer.  Saem correndo desesperados , como se estivessem fugindo de um animal feroz.  Não importa o que ou quem tem pela frente, a regra é correr e passar por cima de qualquer um, porque ao descer do trem, a viagem continua no ônibus lotado com o trânsito infernal.

 

 

Uma ideia sobre “Trem de Horrores

  1. Denilson

    Olá após o trabalho, pego o fluxo contrário da ferrovia, sendo da estação itaim pta para o brás, chegando lá após as 19 hrs nesta ultima citada. O problema é que ao chegar no terminal brás depois que os jovens cidadãos ja não estão mais na plataforma, a situação é o que tu descreveu. Acredito que em qualquer sitio ou fazenda que vizitarmos, seremos melhor recebidos pelos animais rurais do que hoje somos pelos animais urbanos. Acredite esse é o país que vai receber os estrangeiros para copa! uma vergonha !

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